Escarrar é preciso… Será mesmo?

Nunca tive dificuldades em me adaptar a novas culturas ou países. Posso até não aceitar como minha determinadas tradições ou hábitos mas sempre respeitei. Aqui em Xangai me deparei com um hábito que não tem como; o de expectorar em qualquer lugar.
Estou morando aqui já há 1 ano, em um bairro relativamente de bom nível mas isso não me salva de ouvir a sinfonia de horror que é uma pessoa puxando lá do fundo do pulmão sem qualquer ressentimento. Se ouvir alguém tossindo, pode ter certeza que em breve, ouvirá aquela “puxada” e a cusparada. Até hoje tento deixar a pessoa responsável por vil ato embaraçada com um olhar 43 de ódio mas não adianta, nem é com ele. Não pense você que que é só homem de classe baixa que isso ocorre, já vi mulheres e jovens fazendo o mesmo. O momento que mais sofri foi um executivo durante um vôo do norte do país para Xangai que usou aquele saquinho de desconforto para estocar nada mais nada menos que 23 cusparadas. Pois é, contei pois era algo que chamou minha atenção incrivelmente. É bem verdade que a nova geração está cada vez mais educada e não é comum ver jovens entre 15-30 anos cometendo este ato.
Conversei com vários chineses da minha faixa etária perguntando o motivo disso. Os chineses não mascam tabaco então esta razão está descartada. Poluição? Talvez mas então não justificaria que, mesmo em áreas rurais, este hábito existe. Segundo um local que trabalha comigo, o argumento é que as gerações mais antigas ainda não estão acostumadas a viver em uma cidade com densidade demográfica tão grande e por isso ainda cultivam o hábito da época em que ainda eram trabalhadores rurais e escarrar sozinho no meio de uma plantação, não era maiores problemas.
O governo chinês está fazendo a parte dele tentando educar a população a não fazer isso. Durante as olimpíadas e agora durante a Expo 2010 em Xangai, é constante no canal de TV estatal e até mesmo em panfletos, os pedidos para não se escarrar em público.
O que conclui na verdade é que o povo chinês está passando por uma adaptação. Um país que menos de 60 anos atrás centenas de milhares morreram de fome por falta de comida, muitos viviam apenas de subsistência, agora estão tendo acesso à uma vida em uma sociedade moderna que demanda adaptações. 30 anos atrás, a China era um país completamente diferente antes da “capitalização” de sua economia. Talvez daqui há 10 anos, não tenhamos mais que sofrer com esse péssimo hábito. Até lá, não me canso de me sentir enojado e surpreso por pessoas que fazem isso. Agora entendo como os estrangeiros se sentem no carnaval no Rio de Janeiro vendo pessoas urinarem em absolutamente qualquer lugar, outro hábito que não consigo conceber.

Nunca tive dificuldades em me adaptar a novas culturas ou países. Posso até não aceitar como minha determinadas tradições ou hábitos mas sempre respeitei. Aqui em Xangai me deparei com um hábito que não tem como; o de expectorar em qualquer lugar.
Estou morando aqui já há 1 ano, em um bairro relativamente de bom nível mas isso não me salva de ouvir a sinfonia de horror que é uma pessoa puxando lá do fundo do pulmão sem qualquer ressentimento. Se ouvir alguém tossindo, pode ter certeza que em breve, ouvirá aquela “puxada” e a cusparada. Até hoje tento deixar a pessoa responsável por vil ato embaraçada com um olhar 43 de ódio mas não adianta, nem é com ele. Não pense você que que é só homem de classe baixa que isso ocorre, já vi mulheres e jovens fazendo o mesmo. O momento que mais sofri foi um executivo durante um vôo do norte do país para Xangai que usou aquele saquinho de desconforto para estocar nada mais nada menos que 23 cusparadas. Pois é, contei pois era algo que chamou minha atenção incrivelmente. É bem verdade que a nova geração está cada vez mais educada e não é comum ver jovens entre 15-30 anos cometendo este ato.
Conversei com vários chineses da minha faixa etária perguntando o motivo disso. Os chineses não mascam tabaco então esta razão está descartada. Poluição? Talvez mas então não justificaria que, mesmo em áreas rurais, este hábito existe. Segundo um local que trabalha comigo, o argumento é que as gerações mais antigas ainda não estão acostumadas a viver em uma cidade com densidade demográfica tão grande e por isso ainda cultivam o hábito da época em que ainda eram trabalhadores rurais e escarrar sozinho no meio de uma plantação, não era maiores problemas.
O governo chinês está fazendo a parte dele tentando educar a população a não fazer isso. Durante as olimpíadas e agora durante a Expo 2010 em Xangai, é constante no canal de TV estatal e até mesmo em panfletos, os pedidos para não se escarrar em público.
O que conclui na verdade é que o povo chinês está passando por uma adaptação. Um país que menos de 60 anos atrás centenas de milhares morreram de fome por falta de comida, muitos viviam apenas de subsistência, agora estão tendo acesso à uma vida em uma sociedade moderna que demanda adaptações. 30 anos atrás, a China era um país completamente diferente antes da “capitalização” de sua economia. Talvez daqui há 10 anos, não tenhamos mais que sofrer com esse péssimo hábito. Até lá, não me canso de me sentir enojado e surpreso por pessoas que fazem isso. Agora entendo como os estrangeiros se sentem no carnaval no Rio de Janeiro vendo pessoas urinarem em absolutamente qualquer lugar, outro hábito que não consigo conceber.

 

O ritual do Ano Novo Chinês

Fogos de Artifício

Realmente foi uma experiência única estar presente a celebração do ano novo chinês em uma vila do interior da China. Na pequena vila de Donggang, próximo à Dandong, fronteira com a Coréia do Norte, as tradições seguem praticamente imaculadas. A tecnologia é presente, claro, com fogos de artifícios de melhor qualidade e o uso de lanternas em vez de velas nas procissões mas as idéias centrais, continuam as mesmas; proteção, desejo de boa sorte, respeito pelos antepassados.
O ano novo chinês é determinado de uma mistura do calendário gregoriano (o que estamos acostumados) com o sistema de calendário lunar-solar. Como é baseado na primeira Lua Nova do ano, varia-se a cada ano entre final de janeiro e meados de fevereiro. Veja tabela abaixo para futuras datas e os respectivos signos chineses. Esse talvez seja o feriado mais importante do ano, além de ser o mais longo e com isso, é a chance que muitos chineses têm de voltar para  casa, já que vários migraram temporariamente para cidades em busca de melhores oportunidades.
Interessante é observar como o cotidiano muda em pequenos detalhes. Lembra muito o nosso natal quando a cidade começa a se enfeitar com decorações temáticas. Por aqui, você começa a observar papéis vermelhos com letras douradas sendo colados em todas as janelas e portas. Neles estão escritas frases de incentivo, desejando saúde, dinheiro e um bom ano. O vermelho é pelo fato da lenda que diz que há muito tempo atrás, um monstro chamado Nian, atacava vilas e devorava seus habitantes. Até que um sábio avisou que o tal monstro tinha medo da cor vermelha e de barulho. Este o motivo de colocar-se faixas e decorações vermelhas em todas as portas e janelas, para evitar que Nian entre. Além dos papéis nas casas, todos usam meias e roupas de baixo vermelhas novas pelo mesmo motivo.
A segunda “arma” contra Nian é ao mesmo tempo uma atração e uma maldição para novatos como eu na cultura chinesa. Os fogos de artifício são constantes durante esses quinze dias de festival da primavera. São fogos dos mais variados tipos; coloridos, seqüenciais, geradores de fumaça, buscapés. Em comum todos tem uma característica; o barulho praticamente ensurdecedor. Esse espetáculo não segue nenhuma regra. Qualquer pessoa pode comprar os fogos e soltar quando quiser, a hora que quiser. Não se surpreenda com fogos sendo soltos às onze e meia da noite de quinta ou sete da manhã de domingo, faz parte das festividades. Outra surpresa foi ver fogos daqueles estilo de fim-de-ano de Copacabana, onde se abre um cogumelo colorido após ser acendido, estourando na altura da minha varanda. Vale dizer que moro sétimo andar. Já ouvi histórias que esses fogos quebraram janelas de moradores mas isso não parece impedir os festejos. É impressionante a qualidade e variedade do mesmo, podendo ser comprado em qualquer lugar autorizado (não difícil de encontrar) e com uma qualidade incrível.

Os rolinhos recheados de carne e verduras

Voltando aos rituais, antes da virada, as todas as casas montam um pequeno santuário em homenagem aos ancestrais onde são oferecidas frutas e incenso. Na parede uma grande árvore genealógica é montada com todos os ancestrais conhecidos. No dia da virada em si, durante o crepúsculo, todos vão ao cemitério com lanternas (hoje em dia as nossas lanternas à pilha mesmo) para “buscar” os ancestrais e guiá-los até em casa para as festividades.

Durante a noite, enquanto a TV estatal passa um super show de variedades com apresentações folclóricas, skits de comédia e apresentações de cantores populares, todos devem comer rolinhos (dumplings) recheados de carne. Alguns rolinhos têm uma moeda dentro e quem for o premiado com tal bolinho, significará um ano próspero financeiramente dizendo.

Prestando homenagens aos ancestrais

Durante a virada, fogos em todas as casas são soltos enquanto familiares prestam homenagens aos seus antepassados queimando um papel amarelo significando dinheiro e reverenciando em preces seguindo o preceito budista. No terceiro dia do ano novo, é hora de guiar os ancestrais de volta ao cemitério, utilizando as lanternas. O santuário deve ficar montado até o 16o dia do ano novo.
Para fechar o festival, no 15o dia é quando ocorre o festival das lanternas. Neste dia todos soltam as tradicionais lanternas chinesas (semelhantes aos nossos balões de São João) para que o ano que está começando seja um ano de prosperidade, saúde e paz. Confesso que ao mesmo tempo foi uma experiência incrível, já estava cansado de ouvir estrondos de fogos de artifício e já estava pronto para voltar à minha vida normal depois de uma semana de feriado.
 

Será a China é uma grande Ikea?

Hoje fazendo compras de alguns móveis para o meu apartamento lá na Ikea me deparei com uma situação desagradável que me fez pensar um pouco.

Já na entrada, quando você começa aquele caminho obrigatório da loja (para quem não sabe, Ikea é a inspiração da Tok & Stok) reparei uns caras sentados nas cadeiras do mostruário com uma cara de quem não estava ali para ver móveis. Perguntei para um local que estava comigo e fui informado; eles são “taxistas de móveis”. Explico; a Ikea ficou famosa na Europa e depois no mundo por seus móveis com estilo mas feito em linha de montagem. Além disso, você é o responsável inclusive por buscar as caixas no estoque (que fica na mesma loja), transportar até em casa e montar. Esses taxistas oferecem o serviço de carregar para você e levar até em casa. Vale dizer que a Ikea também oferece esse serviço, segundo ela, à preço de custo.

O que me incomoda é a insitência. Um desses taxistas me acompanhou, falando sem parar com quem estava comigo desde o momento que entrei no estoque até a hora que eu paguei o transporte oficial da Ikea. O que me surpreendeu mais foi que quem estava comigo achou absurdo eu pagar 100 yuans a mais (o equivalente a 28 reais) para a Ikea em vez de aceitar a oferta do pirata. Acho que até o pirata ficou abismado já que ele tentou me convencer até enquanto o funcionário da Ikea passava o meu cartão. Isso mesmo, na cara do funcionário.

Isso não é exclusividade da Ikea não. Outro dia fui ao banco trocar euros por yuans e enquanto preenchia o formulário oficial de câmbio, dentro da agência ao lado da segurança, fui abordado por um cambista, que oferecia uma taxa melhor que a do banco. Comentei que as notas poderiam ser falsas e ele me apontou para uma máquina, que fica ao acesso de todos no banco, para contagem e verificação de notas. Acabei trocando o dinheiro com o cambista pois era mais rápido, nem pela vantagem do dinheiro.

Esses dois casos exemplificam como essa economia informal funciona aqui na China. Posso citar mais um punhado de exemplos. Na minha viagem em maio, para ir de Dalian para Dandong, no norte da China, fui de van ilegal já que o ônibus demorava o dobro do tempo e não tem muita freqüência. E não era uma van chinfrin, era uma Toyota Previa. Tem as lojas que vendem DVDs piratas e por aí vai.

Não pensem você que isso acontece no subúrbio ou áreas mais simples do país. Ikea é uma loja de classe média alta, em uma das cidades chinesas de maior poder aquisitivo que se tem por aqui. As pessoas não se chocam e acham normal. Sei que no Brasil temos os camelôs também mas existe uma diferença; o comércio no Brasil é mais passivo, vc não se sente pressionado como por aqui. Quando fui ao Mercado da Seda, em Pequim, os vendedores te pegam pelo braço, tentam te puxar para as lojas deles e falam sem parar. Não sei mesmo lidar com esse tipo de comércio. Não sou nenhum santo mas acho que tudo tem que ter um certo limite e hoje não sei porque me senti muito incomodado com o cara forçando a barra para eu aceitar o serviço dele.

Desta vez eu optei pelo oficial, para ter a garantia e a tranquilidade. Pelo visto a China é assim, a mistura do que há de melhor em termos de produtos e as formas mais antigas e muitas vezes tangenciais de serviços dos países em desenvolvimento.

 

A primeira semana de trabalho – A Estiva

Meus  565  filhos.

Um dos prédios da escola.

Pois é. Para quem achava que trabalho de professor é algo puramente intelectual, dancei feio. Tudo bem, não sou apenas professor por aqui mas mal peguei em um livro esses dias. A minha chegada adiantada foi exatamente para me adaptar ao ambiente e quando cheguei, junto vieram nada mais nada menos que 565 macbooks! Isso mesmo, um mundo deles para todos os alunos de Middle School e High School, além dos novos professores. Com isso passei o primeiro dia carregando laptops 4 andares, sendo que cada caixa pesa 4 quilos. Delícia hein? Na verdade eu nem precisaria pegar no pesado mas vendo aqui os funcionários levando 5 laptops nas costas me deu um ar de inútil que me ofereci para carregar alguns.

Feito isso, hora de abrir todas as caixas. Foi um exercício e tanto digno de academia. A escola tem um campus menos que a do Rio de Janeiro, onde trabalhava mas está melhor localizada já que fica em uma rua movimentada. São 4 prédios de no máximo 5 andares distribuídos por uma ampla área. Tem um campo de futebol de grama sintética e um ginásio no topo de um dos prédios. Eu vou ficar em uma sala no prédio do High School lá no quinto andar, ou seja, exercício todos os dias para subir e descer mas isso eu estou acostumado desde a minha época de EARJ pois eram 137 degraus até chegar na minha sala no bloco 7.

Uma das minhas tarefas, a que já comecei a executar desde o dia 1, será coordenar a tecnologia deste campus, ou seja, ser o gerente do suporte técnico e responsável pela integração de tecnologia no currículo acadêmico. Isso para mim foi um fator decisivo para aceitar tal posição pois me ampliará os horizontes. Eu terei aqui uma equipe de 2 técnicos que são chineses. Não tenho muito o que falar pois o nosso contato foi mínimo mas um deles tem o inglês muito básico e com isso vai ser mais um estímulo para aprender mandarim.

Nessa semana eu trabalhei desenvolvendo conteúdo tanto para as minhas aulas como para o treinamento dos novos professores e alunos, que estarão tendo contato pela primeira vez com Apple, além de tentar me inteirar de como as coisas funcionam no campus. De qualquer forma eu já conheci o Principal para o Upper School, que será o meu chefe direto. Na verdade eu tenho que me reportar a um monte de gente; Chris é o diretor de tecnologia de todos os campus, como professor tenho que falar com o meu Principal e como coordenador de tecnologia tenho que falar com o Headmaster deste campus. Muito cacique…O desafio agora é deixar tudo pronto nesta área para quando as aulas começarem, isso sim.

 

A bomba do primeiro dia

Tem coisas que não dá para explicar. Eu passei 28 dias na China comendo de quase tudo um pouco e sobrevivi bem. Não é que agora, no segundo dia de China, passo mal à vera? Quando falo passar mal, é achar que iria desmaiar mesmo, algo que nunca tinha sentido.

Não adianta eu dar dicas o que fazer ou deixar de fazer pois não como qualquer coisa, sou super fresco para comer e só tomo água filtrada. Não comi nada na rua ou de lugares escusos. Eu acho que foi um porco grelhado (só comi 2 fatias, nada mais!) que talvez não estivesse bem cozido. Vale dizer que comi em um restaurante em Sanlitun, local onde tem as lojas mais badalas como a Apple Store, Adidas, Puma, Nike e etc além de ser no bairro diplomático, cheio de estrangeiros.

Só sei que chapei por 2 dias, totalmente inerte com dor nas costas e me esvaindo a cada 2 horas. Por sorte estava com amigos chineses que me deram uma força. Fiquei tomando soro caseiro e comendo arroz até me sentir melhor. O que me deu raiva foi ter perdido 2 dias de passeio por Pequim mas tinha que me cuidar pois irei para Xangai de trem e imaginem eu passando mal em 11 horas de trem? Aí sim iria morrer.

Acho também que além do nervosismo pelo fato de estar em um novo país pronto para enfrentar um novo desafio, acabei sendo furtado por uma bobeira incrível minha, isso me deixou com uma raiva de mim mesmo inacreditável, para morrer. Nem é pelo dinheiro em si, que a gente recupera mas pelo fato de achar que ainda estava em Berlim, isso sim.

Bem, como dizem na China, quando se é roubado assim, tudo indica que ganhará mais à frente. Eles têm 5000 anos de história, espero que estejam certos.

 

O Visto

Tirar o visto chinês não é um bicho de sete cabeças. Na verdade é até mais fácil que se tirar o visto brasileiro. Você precisará apenas de sua passagem, onde você ficará na China, uma foto 3×4, preencher um formulário e pagar a taxa, nada mais.

O que se tem que tomar cuidado é que o visto só é válido por 90 dias, ou seja. você não pode pedir com muita antecedência. Normalmente o prazo para ficar pronto são de 4 dias úteis, que pode ser encurtado se for paga uma taxa de urgência.

Nós brasileiros reclamamos de tirar visto para os outros países mas será que temos idéia o quão burocrático é o nosso visto? Para se ter uma idéia, aqui vão alguns pontos do que pedimos:

4. Comprovante de residência e trabalho na República Popular da China (no caso de estudantes, o comprovante de trabalho pode ser substituído por prova de matrícula e frequência regular em instituição de ensino);

5. Carta-convite autenticada em cartório emitida por cidadão brasileiro, ou estrangeiro com permissão de residência no Brasil, em favor do solicitante do visto. O emissor da carta deve responsabilizar-se pela manutenção de seu convidado durante a estada no Brasil. No caso de excursões, o grupo deve apresentar carta de agência de turismo com detalhes sobre o itinerário;

6. Prova de meio de subsistência: comprovante bancário que ateste a capacidade financeira do solicitante para realizar a viagem;

—-

Já pedi duas vezes o visto chinês e não tive qualquer dificuldades. Ainda bem que não me pediram comprovação de renda ou estaria em situação complicada.

 

O Passaporte

Um dos primeiros documentos que tive que providenciar foi um passaporte novo. O que estava usando ia vencer agora em setembro deste ano e para poder tirar o visto chinês de trabalho a validade mínima tem que ser de 1 ano. Com isso, pela primeira vez utilizei o serviço da embaixada brasileira aqui em Berlim e tive um gostinho do serviço público brasileiro. Antes de tirar o passaporte perguntei umas duas vezes quanto tempo levava para este ficar pronto e cada vez obtive uma resposta diferente. Na primeira vez, me disseram que ficava pronto no mesmo dia. Na segunda, 48 horas. Quando fui fazer, a verdade, 5 dias úteis. Mesmo assim, não me incomodei pois ainda é mais rápido que no Rio de Janeiro e ainda por cima a foto é tirada ali mesmo.

O procedimento é bem interessante. Através do site da embaixada, se preenche um formulário online com todas as suas informações, isso acelera tremendamente o processo pois asism só precisa chegar na embaixada, entregar cópias dos documentos, tirar a foto e pagar. A foto é tirada com uma camera digital ligada direto ao sistema que valida a mesma no tal formato especial que facilita o computador a identificar. Por toda essa tecnologia, você paga 69 euros.

Qual é a minha surpresa ao buscar meu passaporte e ver que a minha foto estava incrivelmente escura? Mal dá para ver o meu rosto! Quando comentei isso com a pessoa responsável, obtive a incrível resposta; “pois é, também achei mas como o sistema aceitou.. Eu recomendo você levar sempre o seu passaporte antigo.”.

Depois dessa, saí de fininho e fui cuidar da minha vida antes da mudança….

 

A bomba

Um pouco antes de viajar para a China, recebo um e-mail do diretor de uma escola internacional de Xangai perguntando se havia interesse meu em me candidatar para uma vaga aberta em sua escola. O perfil era um pouco diferente do meu e também por não estar procurando um emprego, não me animei muito mas também não descartei. Comentei que por um acaso estaria viajando pela China e que Xangai seria uma das minhas paradas e perguntei se não gostaria de conversar pessoalmente.

Curti a minha viagem normalmente até que cheguei em Xangai. Com a reunião agendada no dia seguinte. não abusei de noite e fui dormir cedo, já que não tinha a mínima idéia onde a escola era. Com a grata ajuda de locais, lá fui eu de jeans, tênis e camiseta. Não tinha como levar uma roupa social para a entrevista com uma mala limitada a 20kgs para uma viagem de 28 dias. Já fui logo falando de cara para o diretor que estava à paisana pois afinal de contas, era um turista.

Fiquei muito bem impressionado com a escola. Apesar de ter uma frente de rua pequena, a área interna é imensa, com direito à piscina aquecida e tudo mais. A reunião durou um hora e meia entre os diretores gerais e do campus local, eu e o diretor de tecnologia. Contei um pouco dos meus projetos na escola do Rio, como as coisas desenvolveram e etc, perguntaram se eu me mudaria para Xangai caso fosse convidado e etc. Lógico, na reunião não se põe muitas barreiras então falei que dependendo da proposta, por que não? Bem, terminada a reunião, ele ficaram de me dar uma posição em 48 horas e lá fui eu seguir com a minha vida pelas atrações de Xangai.

Depois de subir no prédio mais alto da China (Shanghai World Financial Center) e passear um pouco pela cidade, resolvo ir para o hotel tomar uma chuveirada  e procurar algo para comer. Como foi de praxe durante à viagem, ao chegar no hotel, descarrego as fotos e checo o meu e-mail. Não é que para a minha surpresa havia uma mensagem da escola? Já com um contrato e tudo mais! Fiquei tão chocado que acredito fiquei sentado na beira da cama por uma hora pensando em tudo que iria mudar na minha vida.

Desde que me conheço por gente, sempre quis seguir a carreira de diplomata, (bem isso depois que a vontade de ser jogador do Flamengo passou, lá pelos 7 anos de idade) e isso é meio um sonho se realizando. Se seguir essa carreira de professor de escola internacional, poderei me mudar a cada 2 anos para uma cidade diferente. Isso vai ser a possiblidade de aprender uma nova língua, uma nova cultura e ainda evoluir profissionalmente.

O downside é ficar longe de casa. Não tenho tantos amigos assim nem tinha uma vida social tão frenética mas mesmo assim o Rio é a minha casa. Quanto aos amigos, bem, nesses últimos meses uma amiga muito especial que não falava há anos me “achou” e foi como se ao invés de 17 anos sem nos falar, foram apenas alguns meses. Isso eu estando em Berlim e ela no Rio! Com isso, amigos continuarão amigos aonde quer que eu esteja e assim espero ter altas histórias para contar quando encontrá-los, seja no meio do ano ou ao final.

Agora tenho que me preparar para o desafio de fazer uma mudança em dois passos; Berlim-Rio-Xangai.

China, aqui vou eu!

 

O Sumiço

Sei que parei de postar e até já estou de volta à Berlim mas depois de Nanjing os dias ficaram mais corridos e o meu acesso à internet diminuiu sensivelmente mas o principal mesmo foi  a quantidade absurda de fotos que acabei tirando durante à viagem. Foram nada mais nada menos que 3697 fotos e olha que não saí tirando de absolutamente qualquer coisa não. Tentei focar no que me era interessante mas eram tantas coisas que quando chegava no hotel, via que tinha disparado 200-300 fotos. Essa contagem também elimina as fotos ruims, só falo das melhores mesmo. As ruins, já apago direto na câmera. Pus o meu Macbook Pro de 2006 à prova descarregando as fotos nele e usando o Adobe Light Room para organizá-las, pós produzi-las e depois publicar no Flickr. Todo esse processo, como vocês podem imaginar, demanda tempo e em uma viagem corrida como essa visitando tantos lugares, eu já chegava exausto em casa e então priorizei as fotos, onde ainda coloquei certas informações. Não deixem de dar uma olhada lá no Flickr.

Além disso, agora estou focando escrever sobre as atrações no super portal de viagens Vivo Viajando, onde estão reunidas diversas dicas ótimas de viagens de pessoas que curtem muito viajar pelo mundo. Muitas novidades em breve por lá.

Falando em novidades, uma bomba para o próximo post.

 

O ultra-super-duper tour de tudo num dia em Nanjing

O meu super Motel168 oferece na recepção um super tour de um dia completo pela cidade de Nanjing por apenas 23 euros .

O folheto (todo escrito em chinês, diga-se de passagem) fazia uma listagem de nada mais nada menos que 5 atrações principais da cidade, Templo do Confúcio, Mausoléu do Dr. Sun Yat Sen e mais outras 3 que nem me lembro o nome mas são palácios. O que me chateou de início foi o fato que o Portão de Zhonghua que não estava (e por isso fui ver no dia anterior sozinho), acabou entrando em substituição à um dos palácios. Oras, se eles tivessem avisado antes, teria feito outra coisa e não ir no mesmo local 2 vezes. Bem, como foi barato e principalmente como não sei chinês, fiquei na minha.

O folheto descrevia “ônibus luxuoso c/ ar condicionado” . Bem, a foto acima é do “luxo” descrito. Uma van que o ar que tinha era o que vinha da janela. Eu era o único não-chinês na dita cuja e virei meio um objeto de observação, o que já estou acostumado aqui na China, diga-se de passagem.

Para-se aqui, para-se ali, sempre com a guia carregando um auto-falante na cintura aos berros com um microfone. Eu alienei totalmente e fui tirando fotos e lendo no meu guia. Eu imaginei que um almoço seria oferecido, e foi, por 2o RMB (algo como 2 euros) o que inevitavelmente aceitei, claro.

Lógico que por esse preço e contando que a excursão foi uma pechincha (para se ter uma idéia, somando as entradas todas, não paga a excursão), a comida para mim foi uma droga, até mesmo para o padrão chinês de qualidade. De qualquer forma, todos ficavam olhando para ver se eu conseguia manusear os pauzinhos e o que eu comia ou deixava de comer.

A parada depois do almoço foi de matar; o mausoléu do tal doutor. Esse cara nada mais é que o General Deodoro da Fonseca deles, responsável pela Declaração da República Chinesa. Ele nem ficou muito no poder (nem 2 anos)  mas mereceu um monumental mausoléu, que na verdade quase me levou a xingá-lo pois são 400 degraus para se subir na Montanha Roxa. Tudo bem, é um parque lindo e a vista lá de cima (se der sorte e não ter um nevoeiro na cidade) é espetacular mas para meu azar, estava um calor de 35 graus. Ainda bem que estou meio em forma e subi bem com a mochila com todo o equipamento fotográfico.

Resumo de Nanjing: Seria uma cidade que se estivesse fora do meu roteiro, não faria falta alguma, sinceramente. Achei meio suja, tirando a Montanha Roxa seus monumentos não são tão únicos se comparados às outras cidades.

Fatos diferentes do cotidiano chinês: Sem dúvida os modos à mesa do chinês são TOTALMENTE diferentes do nosso. Vou enumerar algumas coisas que me chamaram a atenção.

1 – Não existe essa de “meu prato, seu prato”. O prato é da mesa. Por isso, normalmente uma mesa chinesa parece um banquete com uma variedade de no mínimo 3 comidas totalmente diferentes, indo de peixe, ave, carne pasta tudo na mesa e cada um se servindo do que ali está em bocados, e não colocando um monte no prato e comendo.

2 – Não existe essa de se servir. Você pega mesmo com os seus kuozis (palitinhos), os mesmos que você usa para comer. Se for fresco com isso, complica tudo.

3 – Não sabe comer de pauzinhos? Podem até te dar uma colher e garfo mas faca é algo totalmente não-necessário já que a comida vem toda cortada.

4 – Muita das comidas tem caldo, meio como sopa e sorver a sopa não é problema para o chinês. O barulho não é falta de educação.

5 – Posso dizer sem medo de errar que 3/4 das comidas chinesas são apimentadas, umas mais do que as outras mas levam algum tipo de tempero forte neste aspecto.

6 – Verdura é forte a culinária chinesa enquanto fritura de imersão é algo raro.

7 – É comum você colocar um pedaço de carne na boca com osso, aí é simples, você cospe (isso mesmo, cospe) no prato.

8 – Não se leva comida do prato/cumbuca à boca e sim se curva e leva a cumbuca à boca para encurtar a distância.

9 – É comum não beber nada à mesa, uma vez que normalmente restaurantes oferecem um chá na entrada e as comidas têm esse ensopado.