Será a China é uma grande Ikea?
Posted in Uncategorized on 07/30/2009 07:37 am by Erick PessôaHoje fazendo compras de alguns móveis para o meu apartamento lá na Ikea me deparei com uma situação desagradável que me fez pensar um pouco.
Já na entrada, quando você começa aquele caminho obrigatório da loja (para quem não sabe, Ikea é a inspiração da Tok & Stok) reparei uns caras sentados nas cadeiras do mostruário com uma cara de quem não estava ali para ver móveis. Perguntei para um local que estava comigo e fui informado; eles são “taxistas de móveis”. Explico; a Ikea ficou famosa na Europa e depois no mundo por seus móveis com estilo mas feito em linha de montagem. Além disso, você é o responsável inclusive por buscar as caixas no estoque (que fica na mesma loja), transportar até em casa e montar. Esses taxistas oferecem o serviço de carregar para você e levar até em casa. Vale dizer que a Ikea também oferece esse serviço, segundo ela, à preço de custo.
O que me incomoda é a insitência. Um desses taxistas me acompanhou, falando sem parar com quem estava comigo desde o momento que entrei no estoque até a hora que eu paguei o transporte oficial da Ikea. O que me surpreendeu mais foi que quem estava comigo achou absurdo eu pagar 100 yuans a mais (o equivalente a 28 reais) para a Ikea em vez de aceitar a oferta do pirata. Acho que até o pirata ficou abismado já que ele tentou me convencer até enquanto o funcionário da Ikea passava o meu cartão. Isso mesmo, na cara do funcionário.
Isso não é exclusividade da Ikea não. Outro dia fui ao banco trocar euros por yuans e enquanto preenchia o formulário oficial de câmbio, dentro da agência ao lado da segurança, fui abordado por um cambista, que oferecia uma taxa melhor que a do banco. Comentei que as notas poderiam ser falsas e ele me apontou para uma máquina, que fica ao acesso de todos no banco, para contagem e verificação de notas. Acabei trocando o dinheiro com o cambista pois era mais rápido, nem pela vantagem do dinheiro.
Esses dois casos exemplificam como essa economia informal funciona aqui na China. Posso citar mais um punhado de exemplos. Na minha viagem em maio, para ir de Dalian para Dandong, no norte da China, fui de van ilegal já que o ônibus demorava o dobro do tempo e não tem muita freqüência. E não era uma van chinfrin, era uma Toyota Previa. Tem as lojas que vendem DVDs piratas e por aí vai.
Não pensem você que isso acontece no subúrbio ou áreas mais simples do país. Ikea é uma loja de classe média alta, em uma das cidades chinesas de maior poder aquisitivo que se tem por aqui. As pessoas não se chocam e acham normal. Sei que no Brasil temos os camelôs também mas existe uma diferença; o comércio no Brasil é mais passivo, vc não se sente pressionado como por aqui. Quando fui ao Mercado da Seda, em Pequim, os vendedores te pegam pelo braço, tentam te puxar para as lojas deles e falam sem parar. Não sei mesmo lidar com esse tipo de comércio. Não sou nenhum santo mas acho que tudo tem que ter um certo limite e hoje não sei porque me senti muito incomodado com o cara forçando a barra para eu aceitar o serviço dele.
Desta vez eu optei pelo oficial, para ter a garantia e a tranquilidade. Pelo visto a China é assim, a mistura do que há de melhor em termos de produtos e as formas mais antigas e muitas vezes tangenciais de serviços dos países em desenvolvimento.














