Posts Tagged ‘Xangai’

Escarrar é preciso… Será mesmo?

Nunca tive dificuldades em me adaptar a novas culturas ou países. Posso até não aceitar como minha determinadas tradições ou hábitos mas sempre respeitei. Aqui em Xangai me deparei com um hábito que não tem como; o de expectorar em qualquer lugar.
Estou morando aqui já há 1 ano, em um bairro relativamente de bom nível mas isso não me salva de ouvir a sinfonia de horror que é uma pessoa puxando lá do fundo do pulmão sem qualquer ressentimento. Se ouvir alguém tossindo, pode ter certeza que em breve, ouvirá aquela “puxada” e a cusparada. Até hoje tento deixar a pessoa responsável por vil ato embaraçada com um olhar 43 de ódio mas não adianta, nem é com ele. Não pense você que que é só homem de classe baixa que isso ocorre, já vi mulheres e jovens fazendo o mesmo. O momento que mais sofri foi um executivo durante um vôo do norte do país para Xangai que usou aquele saquinho de desconforto para estocar nada mais nada menos que 23 cusparadas. Pois é, contei pois era algo que chamou minha atenção incrivelmente. É bem verdade que a nova geração está cada vez mais educada e não é comum ver jovens entre 15-30 anos cometendo este ato.
Conversei com vários chineses da minha faixa etária perguntando o motivo disso. Os chineses não mascam tabaco então esta razão está descartada. Poluição? Talvez mas então não justificaria que, mesmo em áreas rurais, este hábito existe. Segundo um local que trabalha comigo, o argumento é que as gerações mais antigas ainda não estão acostumadas a viver em uma cidade com densidade demográfica tão grande e por isso ainda cultivam o hábito da época em que ainda eram trabalhadores rurais e escarrar sozinho no meio de uma plantação, não era maiores problemas.
O governo chinês está fazendo a parte dele tentando educar a população a não fazer isso. Durante as olimpíadas e agora durante a Expo 2010 em Xangai, é constante no canal de TV estatal e até mesmo em panfletos, os pedidos para não se escarrar em público.
O que conclui na verdade é que o povo chinês está passando por uma adaptação. Um país que menos de 60 anos atrás centenas de milhares morreram de fome por falta de comida, muitos viviam apenas de subsistência, agora estão tendo acesso à uma vida em uma sociedade moderna que demanda adaptações. 30 anos atrás, a China era um país completamente diferente antes da “capitalização” de sua economia. Talvez daqui há 10 anos, não tenhamos mais que sofrer com esse péssimo hábito. Até lá, não me canso de me sentir enojado e surpreso por pessoas que fazem isso. Agora entendo como os estrangeiros se sentem no carnaval no Rio de Janeiro vendo pessoas urinarem em absolutamente qualquer lugar, outro hábito que não consigo conceber.

Nunca tive dificuldades em me adaptar a novas culturas ou países. Posso até não aceitar como minha determinadas tradições ou hábitos mas sempre respeitei. Aqui em Xangai me deparei com um hábito que não tem como; o de expectorar em qualquer lugar.
Estou morando aqui já há 1 ano, em um bairro relativamente de bom nível mas isso não me salva de ouvir a sinfonia de horror que é uma pessoa puxando lá do fundo do pulmão sem qualquer ressentimento. Se ouvir alguém tossindo, pode ter certeza que em breve, ouvirá aquela “puxada” e a cusparada. Até hoje tento deixar a pessoa responsável por vil ato embaraçada com um olhar 43 de ódio mas não adianta, nem é com ele. Não pense você que que é só homem de classe baixa que isso ocorre, já vi mulheres e jovens fazendo o mesmo. O momento que mais sofri foi um executivo durante um vôo do norte do país para Xangai que usou aquele saquinho de desconforto para estocar nada mais nada menos que 23 cusparadas. Pois é, contei pois era algo que chamou minha atenção incrivelmente. É bem verdade que a nova geração está cada vez mais educada e não é comum ver jovens entre 15-30 anos cometendo este ato.
Conversei com vários chineses da minha faixa etária perguntando o motivo disso. Os chineses não mascam tabaco então esta razão está descartada. Poluição? Talvez mas então não justificaria que, mesmo em áreas rurais, este hábito existe. Segundo um local que trabalha comigo, o argumento é que as gerações mais antigas ainda não estão acostumadas a viver em uma cidade com densidade demográfica tão grande e por isso ainda cultivam o hábito da época em que ainda eram trabalhadores rurais e escarrar sozinho no meio de uma plantação, não era maiores problemas.
O governo chinês está fazendo a parte dele tentando educar a população a não fazer isso. Durante as olimpíadas e agora durante a Expo 2010 em Xangai, é constante no canal de TV estatal e até mesmo em panfletos, os pedidos para não se escarrar em público.
O que conclui na verdade é que o povo chinês está passando por uma adaptação. Um país que menos de 60 anos atrás centenas de milhares morreram de fome por falta de comida, muitos viviam apenas de subsistência, agora estão tendo acesso à uma vida em uma sociedade moderna que demanda adaptações. 30 anos atrás, a China era um país completamente diferente antes da “capitalização” de sua economia. Talvez daqui há 10 anos, não tenhamos mais que sofrer com esse péssimo hábito. Até lá, não me canso de me sentir enojado e surpreso por pessoas que fazem isso. Agora entendo como os estrangeiros se sentem no carnaval no Rio de Janeiro vendo pessoas urinarem em absolutamente qualquer lugar, outro hábito que não consigo conceber.

 

O ritual do Ano Novo Chinês

Fogos de Artifício

Realmente foi uma experiência única estar presente a celebração do ano novo chinês em uma vila do interior da China. Na pequena vila de Donggang, próximo à Dandong, fronteira com a Coréia do Norte, as tradições seguem praticamente imaculadas. A tecnologia é presente, claro, com fogos de artifícios de melhor qualidade e o uso de lanternas em vez de velas nas procissões mas as idéias centrais, continuam as mesmas; proteção, desejo de boa sorte, respeito pelos antepassados.
O ano novo chinês é determinado de uma mistura do calendário gregoriano (o que estamos acostumados) com o sistema de calendário lunar-solar. Como é baseado na primeira Lua Nova do ano, varia-se a cada ano entre final de janeiro e meados de fevereiro. Veja tabela abaixo para futuras datas e os respectivos signos chineses. Esse talvez seja o feriado mais importante do ano, além de ser o mais longo e com isso, é a chance que muitos chineses têm de voltar para  casa, já que vários migraram temporariamente para cidades em busca de melhores oportunidades.
Interessante é observar como o cotidiano muda em pequenos detalhes. Lembra muito o nosso natal quando a cidade começa a se enfeitar com decorações temáticas. Por aqui, você começa a observar papéis vermelhos com letras douradas sendo colados em todas as janelas e portas. Neles estão escritas frases de incentivo, desejando saúde, dinheiro e um bom ano. O vermelho é pelo fato da lenda que diz que há muito tempo atrás, um monstro chamado Nian, atacava vilas e devorava seus habitantes. Até que um sábio avisou que o tal monstro tinha medo da cor vermelha e de barulho. Este o motivo de colocar-se faixas e decorações vermelhas em todas as portas e janelas, para evitar que Nian entre. Além dos papéis nas casas, todos usam meias e roupas de baixo vermelhas novas pelo mesmo motivo.
A segunda “arma” contra Nian é ao mesmo tempo uma atração e uma maldição para novatos como eu na cultura chinesa. Os fogos de artifício são constantes durante esses quinze dias de festival da primavera. São fogos dos mais variados tipos; coloridos, seqüenciais, geradores de fumaça, buscapés. Em comum todos tem uma característica; o barulho praticamente ensurdecedor. Esse espetáculo não segue nenhuma regra. Qualquer pessoa pode comprar os fogos e soltar quando quiser, a hora que quiser. Não se surpreenda com fogos sendo soltos às onze e meia da noite de quinta ou sete da manhã de domingo, faz parte das festividades. Outra surpresa foi ver fogos daqueles estilo de fim-de-ano de Copacabana, onde se abre um cogumelo colorido após ser acendido, estourando na altura da minha varanda. Vale dizer que moro sétimo andar. Já ouvi histórias que esses fogos quebraram janelas de moradores mas isso não parece impedir os festejos. É impressionante a qualidade e variedade do mesmo, podendo ser comprado em qualquer lugar autorizado (não difícil de encontrar) e com uma qualidade incrível.

Os rolinhos recheados de carne e verduras

Voltando aos rituais, antes da virada, as todas as casas montam um pequeno santuário em homenagem aos ancestrais onde são oferecidas frutas e incenso. Na parede uma grande árvore genealógica é montada com todos os ancestrais conhecidos. No dia da virada em si, durante o crepúsculo, todos vão ao cemitério com lanternas (hoje em dia as nossas lanternas à pilha mesmo) para “buscar” os ancestrais e guiá-los até em casa para as festividades.

Durante a noite, enquanto a TV estatal passa um super show de variedades com apresentações folclóricas, skits de comédia e apresentações de cantores populares, todos devem comer rolinhos (dumplings) recheados de carne. Alguns rolinhos têm uma moeda dentro e quem for o premiado com tal bolinho, significará um ano próspero financeiramente dizendo.

Prestando homenagens aos ancestrais

Durante a virada, fogos em todas as casas são soltos enquanto familiares prestam homenagens aos seus antepassados queimando um papel amarelo significando dinheiro e reverenciando em preces seguindo o preceito budista. No terceiro dia do ano novo, é hora de guiar os ancestrais de volta ao cemitério, utilizando as lanternas. O santuário deve ficar montado até o 16o dia do ano novo.
Para fechar o festival, no 15o dia é quando ocorre o festival das lanternas. Neste dia todos soltam as tradicionais lanternas chinesas (semelhantes aos nossos balões de São João) para que o ano que está começando seja um ano de prosperidade, saúde e paz. Confesso que ao mesmo tempo foi uma experiência incrível, já estava cansado de ouvir estrondos de fogos de artifício e já estava pronto para voltar à minha vida normal depois de uma semana de feriado.
 

Será a China é uma grande Ikea?

Hoje fazendo compras de alguns móveis para o meu apartamento lá na Ikea me deparei com uma situação desagradável que me fez pensar um pouco.

Já na entrada, quando você começa aquele caminho obrigatório da loja (para quem não sabe, Ikea é a inspiração da Tok & Stok) reparei uns caras sentados nas cadeiras do mostruário com uma cara de quem não estava ali para ver móveis. Perguntei para um local que estava comigo e fui informado; eles são “taxistas de móveis”. Explico; a Ikea ficou famosa na Europa e depois no mundo por seus móveis com estilo mas feito em linha de montagem. Além disso, você é o responsável inclusive por buscar as caixas no estoque (que fica na mesma loja), transportar até em casa e montar. Esses taxistas oferecem o serviço de carregar para você e levar até em casa. Vale dizer que a Ikea também oferece esse serviço, segundo ela, à preço de custo.

O que me incomoda é a insitência. Um desses taxistas me acompanhou, falando sem parar com quem estava comigo desde o momento que entrei no estoque até a hora que eu paguei o transporte oficial da Ikea. O que me surpreendeu mais foi que quem estava comigo achou absurdo eu pagar 100 yuans a mais (o equivalente a 28 reais) para a Ikea em vez de aceitar a oferta do pirata. Acho que até o pirata ficou abismado já que ele tentou me convencer até enquanto o funcionário da Ikea passava o meu cartão. Isso mesmo, na cara do funcionário.

Isso não é exclusividade da Ikea não. Outro dia fui ao banco trocar euros por yuans e enquanto preenchia o formulário oficial de câmbio, dentro da agência ao lado da segurança, fui abordado por um cambista, que oferecia uma taxa melhor que a do banco. Comentei que as notas poderiam ser falsas e ele me apontou para uma máquina, que fica ao acesso de todos no banco, para contagem e verificação de notas. Acabei trocando o dinheiro com o cambista pois era mais rápido, nem pela vantagem do dinheiro.

Esses dois casos exemplificam como essa economia informal funciona aqui na China. Posso citar mais um punhado de exemplos. Na minha viagem em maio, para ir de Dalian para Dandong, no norte da China, fui de van ilegal já que o ônibus demorava o dobro do tempo e não tem muita freqüência. E não era uma van chinfrin, era uma Toyota Previa. Tem as lojas que vendem DVDs piratas e por aí vai.

Não pensem você que isso acontece no subúrbio ou áreas mais simples do país. Ikea é uma loja de classe média alta, em uma das cidades chinesas de maior poder aquisitivo que se tem por aqui. As pessoas não se chocam e acham normal. Sei que no Brasil temos os camelôs também mas existe uma diferença; o comércio no Brasil é mais passivo, vc não se sente pressionado como por aqui. Quando fui ao Mercado da Seda, em Pequim, os vendedores te pegam pelo braço, tentam te puxar para as lojas deles e falam sem parar. Não sei mesmo lidar com esse tipo de comércio. Não sou nenhum santo mas acho que tudo tem que ter um certo limite e hoje não sei porque me senti muito incomodado com o cara forçando a barra para eu aceitar o serviço dele.

Desta vez eu optei pelo oficial, para ter a garantia e a tranquilidade. Pelo visto a China é assim, a mistura do que há de melhor em termos de produtos e as formas mais antigas e muitas vezes tangenciais de serviços dos países em desenvolvimento.

 

A bomba

Um pouco antes de viajar para a China, recebo um e-mail do diretor de uma escola internacional de Xangai perguntando se havia interesse meu em me candidatar para uma vaga aberta em sua escola. O perfil era um pouco diferente do meu e também por não estar procurando um emprego, não me animei muito mas também não descartei. Comentei que por um acaso estaria viajando pela China e que Xangai seria uma das minhas paradas e perguntei se não gostaria de conversar pessoalmente.

Curti a minha viagem normalmente até que cheguei em Xangai. Com a reunião agendada no dia seguinte. não abusei de noite e fui dormir cedo, já que não tinha a mínima idéia onde a escola era. Com a grata ajuda de locais, lá fui eu de jeans, tênis e camiseta. Não tinha como levar uma roupa social para a entrevista com uma mala limitada a 20kgs para uma viagem de 28 dias. Já fui logo falando de cara para o diretor que estava à paisana pois afinal de contas, era um turista.

Fiquei muito bem impressionado com a escola. Apesar de ter uma frente de rua pequena, a área interna é imensa, com direito à piscina aquecida e tudo mais. A reunião durou um hora e meia entre os diretores gerais e do campus local, eu e o diretor de tecnologia. Contei um pouco dos meus projetos na escola do Rio, como as coisas desenvolveram e etc, perguntaram se eu me mudaria para Xangai caso fosse convidado e etc. Lógico, na reunião não se põe muitas barreiras então falei que dependendo da proposta, por que não? Bem, terminada a reunião, ele ficaram de me dar uma posição em 48 horas e lá fui eu seguir com a minha vida pelas atrações de Xangai.

Depois de subir no prédio mais alto da China (Shanghai World Financial Center) e passear um pouco pela cidade, resolvo ir para o hotel tomar uma chuveirada  e procurar algo para comer. Como foi de praxe durante à viagem, ao chegar no hotel, descarrego as fotos e checo o meu e-mail. Não é que para a minha surpresa havia uma mensagem da escola? Já com um contrato e tudo mais! Fiquei tão chocado que acredito fiquei sentado na beira da cama por uma hora pensando em tudo que iria mudar na minha vida.

Desde que me conheço por gente, sempre quis seguir a carreira de diplomata, (bem isso depois que a vontade de ser jogador do Flamengo passou, lá pelos 7 anos de idade) e isso é meio um sonho se realizando. Se seguir essa carreira de professor de escola internacional, poderei me mudar a cada 2 anos para uma cidade diferente. Isso vai ser a possiblidade de aprender uma nova língua, uma nova cultura e ainda evoluir profissionalmente.

O downside é ficar longe de casa. Não tenho tantos amigos assim nem tinha uma vida social tão frenética mas mesmo assim o Rio é a minha casa. Quanto aos amigos, bem, nesses últimos meses uma amiga muito especial que não falava há anos me “achou” e foi como se ao invés de 17 anos sem nos falar, foram apenas alguns meses. Isso eu estando em Berlim e ela no Rio! Com isso, amigos continuarão amigos aonde quer que eu esteja e assim espero ter altas histórias para contar quando encontrá-los, seja no meio do ano ou ao final.

Agora tenho que me preparar para o desafio de fazer uma mudança em dois passos; Berlim-Rio-Xangai.

China, aqui vou eu!